Blog do Aluxo

Bem-vindos ao Blog do Aluxo, o lugar na grande rede que relata as grandes emoções, aventuras, peripécias do jovem Alexandre Tenenbaum - mais conhecido como "aluxo". Aqui vocês encontrarão relatos do meu dia-a-dia e observações inúteis, mas sutis e interessantes sobre o mundo, as pessoas e as coisas da vida. Ou seja, como dizia um grande poeta e filósofo, o melhor da vida é observar e falar sobre o nada.

Name: Alexandre Tenenbaum
Location: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Sunday, August 06, 2006

Alguém ainda se surpreende?

por Alexandre Tenenbaum

Enquanto os jornais estampam diariamente em suas capas fotos de Beirute destruída, de Haifa em chamas e dos devaneios do Sr. Mahmoud Ahmadinejad, nosso poder público continua se superando - negativamente, é claro.
Depois dos escândalos de nepotismo nos poderes da nossa República, o poder máximo do judiciário mandou que todos os juízes, desembargadores e funcionários demitissem todos os parentes empregados por eles. E não é que eles arranjaram uma maneira de empregá-los de novo?
Dizem os especialistas e as estatísticas que nosso país é um dos retardatários em invenções, descobertas e registros de patentes no mundo. Mas isso não é verdade! Todo dia inventamos uma nova maneira de desviar dinheiro público ou novas formas de corrupção. A última? Nepotismo cruzado. Graças aos nosso juízes e parlamentares do poder legislativo, conseguimos superar todos os países em número de escândalos e novos esquemas de corrupção em tão pouco tempo!
Para evitar qualquer tipo de acusação, os parlamentares empregam parentes dos membros do judiciário, que, em troca, empregam os parentes dos parlamentares. Assim, todo mundo consegue arranjar um pouco da fatia do bolo. Até porque, como mandam os preceitos da justiça, todos devem receber uma fatia do bolo, não é? Pois é, finalmente conseguimos isso.

Thursday, July 06, 2006

Paramos de nos importar

por Alexandre tenenbaum

Depois de algum tempo longe, volto a escrever. Gostaria de falar da Copa do Mundo, do fracasso brasileiro, das falhas de nossos laterais... Mas com tudo isso, muito acontece em nosso país. Coisas essas que a cada dia me consome, enquanto cidadão, enquanto jovem, enquanto eleitor, enquanto brasileiro. O que podemos esperar de um Brasil como esse?
Falamos em crise financeira, monetária, fiscal, política. São tantas as crises que fica difícil escolher uma. Mas todas elas são fruto de uma crise: a crise de valores no Brasil. Já nos tornamos discrentes, até certo ponto desinteressados em nossos políticos. Já nos acostumamos com desvios de verbas, compra de votos e com um congresso mercenário e inoperante. Paramos de nos importar e nos chocar com assassinatos à queima-roupa, arrastões em vias movimentadas e falsas blitzes. Tudo isto nos soa trivial, e seguimos nossa vida normalmente.
Enquanto falávamos de Copa do Mundo e da preparação da selação brasileira - hoje sabida fracassada - um gupo liderado por um dirigente do PT invadiu e depredou a casa da democracia no Brasil, nosso Congresso Nacional. Mas a invasão e destruição do Congresso não foi liderada por Bruno Maranhão, mas por nossos congressistas, que tripudiam da democracia usando o fórum de debates sobre o país - o nosso país - para lucrar às custas de nosso dinheiro, desviando verbas, vendendo votos e legendas partidárias e aumentando seu próprios salários. Nosso Congresso há muito tempo é um grande pardieiro, que perdeu o respeito há muito.
Uma vez mais nos calamos. Nos calamos com a agenda de sessões - ou falta delas - da Casa da Democracia. Enquanto pagamos 40% de nossos ganhos em impostos, o poder legislativo só realizará 3 sessões de trabalho até outubro. Repito, tries sessões, três dias de trabalho até outubro. Lembrem-se: julho é recesso parlamentar. Nossas digníssimas excelentíssimas prostitutas de Brasília trabalharão 1 dia em agosto, outro em setembro e outro mais em outubro.
Exemplos não faltam em nosso país. Mas já nos acostumamos com tudo isso. Enquanto países como Canadá estampam nas primeiras páginas dos jornais um assassinato, comovendo toda a população, no Rio de Janeiro são 10.000 por ano, e pelo visto, paramos de nos importar.
Paramos de nos importar com isto. Paramos de nos importar com nossos políticos. Paramos de nos importar com as greves de meses de funcionários públicos. Paramos de nos importar com o estado deplorável de nosso sistema de saúde e educação públicos. Paramos de nos importar com o desvio de verbas do fundo de educação para campanhas eleitorais da governadora Rosinha.
Paramos de nos importar com o Brasil.

Saturday, April 22, 2006

Uma pizza gigante, por favor

por Alexandre Tenenbaum

E não é que a Câmara dos Deputados achou uma maneira de transformar em pizza toda a investigação do esquema do PT para se perpetuar no poder? Para não "ficar chato" e absolver os parlamentares comprados pelo Partido dos Trabalhadores, nossos deputados inovaram. Agora, a maioria vota a favor da cassação, mas como não obtiveram votos o suficiente, o deputado sai rindo e festejando sua absolvição. Além disto, nós, o povo, não temos como saber quem são as prostitutas que corroboram com o bandido, já que o voto é secreto.
Assim, uma investigação séria vai se encaminhando para uma tremenda pizza. Até agora, 9 deputados foram absolvidos, sem contar os que renunciaram. Enquanto políticos como o senador Delcídio Amaral e Osmar Serraglio obedeciam a ética e a responsabilidade para com o Estado brasileiro, outros membros da CPMI dos Correios trabalharam incessantemente para obstruir os trabalhos, inocentar companheiros de partido e seus amigos. Jorge Bittar, um dos poucos parlamentares do PT carioca que tem uma grande história e respeito, a jogou pela janela ao afrontar o presidente da CPMI em favor de seus correligionários da quadrilha. a senadora Ideli Salvati fez um desfavor a República ao tentar desviar as investigações e bradar que não há provas contra os membros do PT.
Neste mês de maio que está para entrar comemoramos 1 ano da primeira denúncia de muitas sobre o esquema de assalto ao Estado e perpetuação no poder pelo Partido dos Trabalhadores. E enquanto o Ministério Público, a Advocacia Geral da União, a Polícia Federal e o Parlamento tentam, em vão, quebrar o sigilo do companheiro do presidente, Srs. Paulo Okamoto, um simples caseiro teve seu sigilo quebrado por ministros de Estado e pelo presidente da Caixa Econômica Federal, um banco estatal. Mais uma prova de que, para o PT, o que importa é o poder perpetuado e a sovietização do Brasil, guiado pelo partido do povo, e não o interesse nacional e os valores tão dificilmente conquistados, como a democracia e a ética.

Tuesday, April 04, 2006

Reviravolta

por Henry Galsky, Israel

Não foi por acaso que os dois maiores jornais israelenses escolheram a mesma manchete para definir os resultados das eleições: "reviravolta" parece ser mesmo a palavra da moda no cenário político de Israel. E não apenas pelo quantidade de votos que cada partido recebeu; não apenas pela drástica queda do então todo-poderoso Likud; não apenas pela ascensão dos partidos pequenos. As eleições do dia 28 de março já fazem parte da história do páis por todas as razões acima. Mas também por nenhuma delas. Este foi o ano em que o eleitor deixou claro que a politica não lhe é mais tão interessante.
Apenas 63% dos cidadãos compareceram as urnas (o voto nao é obrigatório) após uma das mais frias campanhas políticas dos quase 58 anos de existência de Israel. Este é o segundo menor índice da história e perde apenas para as eleições de 2001, quando Israel enfrentava o auge da segunda Intifada palestina. Para ter a exata noção do que este número representa, basta saber que, até 1999, o índice ficava próximo à casa dos 80%.
De qualquer maneira, o eleitorado israelense parece ter escolhido três grandes ideologias genéricas para representá-lo no próximo parlamento: a objetividade do Kadima - partido fundado por Sharon -, o tradicional voto na esquerda, e, por fim, o bem-humorado - e inesperado - protesto.
O grande vencedor não pôde ver sua vitoria. Apesar de Ehud Olmert ter sido eleito o próximo primeiro-ministro, está muito claro que Ariel Sharon foi a grande escolha. Ou melhor, sua ideologia de retirar-se unilateralmente dos territórios palestinos e formar as fronteiras definitivas de Israel até, no máximo, 2010. O Kadima argumenta que não há parceiros para a paz do lado palestino e, por isso, pretende dar continuidade a construção da polêmica barreira de seguranca. Olmert não se fez de rogado e soube usar com sabedoria sua proximidade com o ex-primeiro ministro. "No caminho de Sharon" foi seu estratégico slogan de campanha. Concorrendo pela primeira vez, o Kadima mostra força ao conquistar 29 das 120 cadeiras do Knesset, o parlamento israelense. Olmert pretende retirar praticamente todas as colônias judaicas da Cisjordânia, mas deseja manter os três maiores blocos de assentamentos. "É o 'sim' do povo de Israel ao meu plano. Se nao podemos negociar com os palestinos, vamos tomar nosso destino pela mão e agir unilateralmente", disse o novo primeiro-ministro logo após o término da apuração.
No segundo escalão, o Partido Trabalhista conseguiu manter praticamente o mesmo número de parlamentares (conquistou 20 cadeiras. Antes, possuia 19). Grande parte da sociedade israelense se identifica com os ideais de esquerda. Foi ela que fundou o país e dominou o cenário político de Israel por quase 30 anos. O até então desconhecido líder sindicalista Amir Peretz conseguiu seguir a linha de líderes históricos israelenses e o Avodah deve ocupar de seis a sete ministérios no novo governo. Entretanto, Peretz deve encontrar problemas numa possível coalizão com o Kadima, já que recusa-se a formar um gabinete com Avigdor Liberman, uma das grandes surpresas destas eleições, e a quem definine como "um novo tipo de Le Pen" (em referência ao político de extrema-direita francês). Os trabalhistas também buscam novas opções de coalizões e podem vir a unir-se aos religiosos do partido Shas e também aos Aposentados.
Lieberman, um dos mais de um milhão de judeus russos que emigraram para Israel desde o início dos anos 1990, é o líder do partido Israel Beitenu ("Israel, a Nossa Casa"), que conseguiu 11 cadeiras no novo parlamento - em 1999, apenas quatro parlamentares do partido estavam no Knesset. Lieberman defende uma polêmica solução para os problemas de fronteiras de Israel: a inclusão de parte da Galiléia israelense - bastante povoada por vilarejos árabes - em troca da anexação e expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia. Seu slogan em russo "nyet, nyet, da" ("nao, nao, sim"), que buscava identificar Olmert, Peretz e Netanyahu como "gatos dos mesmo saco", parece ter seduzido parte do eleitorado e, principalmente, dos imigrantes.
A grande surpresa foi a conquista de sete cadeiras pelo Partido dos Aposentados. No dia das eleições, jovens faziam boca-de-urna para o partido vestindo camisetas com o slogan de "Salve o seu avô". A ascensão do partido que tem como principal plataforma o aumento da aposentadoria é vista pelos comentaristas políticos como um protesto contra o sistema político. É o voto dos que perderam a confiança nos partidos tradicionais. O partido parece mesmo ter conseguido unir em torno de si as vozes dos insatisfeitos. E também de muitos jovens. Cerca de 10% de seus votos vieram de cidadãos com menos de 29 anos de idade e somente 60% de seus eleitores têm mais de 60 anos.
Tambem é consensual que o partido Likud sai como o maior derrotado destas eleições. O a princípio apelativo slogan de "Forte contra o Hamas" não surtiu efeito. A direita neo-liberal israelense conseguiu apenas 12 cadeiras. É um número bastante pequeno, levando-se em conta que, em 2003, o partido chegou a contar com 38 deputados no Knesset. Em relação ao conflito com os palestinos, o Likud propõe a manutenção dos assentamentos. De fato, sua grande derrota ocorreu antes mesmo das eleições, quando Sharon deixou o partido para fundar uma nova legenda que o apoiasse em seu plano de retiradas unilaterais dos territórios reivindicados pelos palestinos. O atual líder do Likud, o ex-primeiro ministro Benjamin Netanyahu, sai como o grande perdedor destas eleições gerais.
Eleito para os próximos quatro anos, Ehud Olmert seguramente encontrara dificuldades para lidar com um espectro político tão complexo. Por um lado, recebeu um voto de confianca para seguir em frente com as retiradas. Por outro, enfrentará as inúmeras dificuldades para conseguir formar um governo capaz de atender a um parlamento tão distinto. No final das contas, o eleitor escolheu quem promete agir em detrimento daquele que faz os melhores discursos. "Os israelenses deixaram claro que estão cansados. Inclusive de protestar. Deixe-nos descansar. Ou nos aposentar", escreve no Jerusalem Post o pesquisador político e diplomata Itzhak Oren.

Sunday, April 02, 2006

Nosso Direito Adquirido

por Alexandre Tenenbaum

Em reportagem publicada hoje no jornal "O Estado de São Paulo", o Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Unicamp indica que a carga tribut´ria do Brasil atingiu a marca recorde de 38,94% do PIB brasileiro. ou seja, mais de 1/3 da riqueza produzida em nosso país para nos cofres públicos.
Seguindo estes dados, o Brasil supera em muito a média dos países em desenvolvimento, que está em 27,44%. Nos países vizinhos como Chile e Argentina, a carga tributária corresponde a 18,72% e 25,93% respectivamente, compondo uma média latina de 16%. É indiscutível que o Chile, por exemplo, é um modelo a ser seguido, com baixa carga tributária, atração de investimentos, políticas públicas acertadas - possibilitando um crescimento anual na casa dos 7%.
Países como Dinamarca, Suécia e Alemanha apresentam cargas tributárias da ordem de 49,85%, 51,35% e 39,76%. Já países menos interventores, como Estados Unidos e Japão tem cargas de 25,77% e 26,28%. Países desenvolvidos apresentam altas cargas tributárias, mas é inadmissível que um país como o Brasil engula quase 40% do PIB em impostos e tenha uma rede de serviços do nível de Estados falidos, como Congo e Serra Leoa.
A questão transcende a discussão de Estado forte ou fraco; nosso problema é cobrar impostos pelo que não nos é oferecido. O Estado brasileiro resolveu fazer a política de austeridade fiscal aumentando a carga tributária, e não diminuindo a já inchada máquina pública. Mais impostos não signifam mais dinheiro, mais produtividade e mais justiça.
Cobrar menos e recolher de todos é melhor do que cobrar muito de ninguém. O México reduziu suas tarifas de importação a níveis razoáveis, na casa de 8%, acabando com a importação ilegal. Hoje, recolhe mais impostos cobrando 8% de tarifa do que há 10 anos atrás, quando cobrava 10 vezes isto.
Por isto defendo que é nosso direito adquirido, enquanto cidadãos brasileiros, de sonegar os impostos e não pagá-los. Devemos lutar por nossos direitos. Devemos lutar pelo direito de fazer muamba, de sonegar o Imposto de Renda e não pagar todos os nossos impostos, que são tantos que nem mais sabemos seus nomes e seus destinos. Não queremos mais pagar por uma Dinamarca e receber Serra Leoa. Isto é propaganda enganosa, crime passível de punição de acordo com o Código de Defesa do Consumidor. Temos um contrato com o Estado brasileiro, e este contrato foi e está sendo quebrado. Por isto, não devemos mais nada a ele - logo, temos o direito de sonegar.

Thursday, March 30, 2006

Novo Link no Blog do Aluxo

Amigos, coloco à disposição de vocês o link de "Um Tricolor na Europa", o blog do amigo Fábio Balassiano. Muito engraçado e despretencioso, seu blog narra suas peripécias na Espanha. vale a pena conferir: http://fbalassiano.blog.uol.com.br/

Tuesday, March 28, 2006

Série Eleições em Israel: Avante!!

por Alexandre Tenenbaum

Neste exato momento em que escrevo, os eleitores israelenses se encaminham as urnas para eleger a nova composição do parlamento e o primeiro-ministro. Escrevo sem saber os resultados ou como a divisão de cadeiras no Knesset se dará, mas uma coisa é certa: o grande vitorioso desta eleição é o pragmatismo e o centro.
Depois de 58 anos de bipartidarismo no país, as consequências dos atos do hoje vegetatito Ariel Sharon marcarão a dinâmica política de Israel. Sharon foi por muitos anos a dianteira do conservadorismo político, defendendo o estabelecimento de colônias ao longo dos territórios em disputa. Mas a cadeira de líder político lhe trouxe os ensinos da realidade à sua frente. Se seu pragmatismo no passado lhe dirigia para defender Israel através da pulverização de colônias nos territórios em disputa, há três anos atrás isso já nnao era mais verdade. Por motivos diversos, como a demografia e a natureza do próprio Estado - os quais já explicitados em outros artigos aqui no blog - Sharon percebeu a necessidade de se separar fisicamente dos palestinos.
Seu primeiro passo foi o Plano de Desengajamento de Gaza, realizado com muito êxito e resistência. Mas seu novo caminho levou ao seu rompimento com a direita, o Likud. O novo partido Kadima - avante, em hebraico - significa muito mais do que uma nova resposta aos problemas de Israel. O Kadima representa o descrédito dos israelenses com a direita e a esquerda. O primeiro por ser duro demais, o segundo por ser idealista demais e de poucos resultados. Ambos falharam. Estão atrasados no tempo.
Israel precisava de novas respostas, novas abordagens aos problemas de sempre. E apesar do fato de os líderes do Kadima serem do passado, sua reforma foi essencial para o alcance de suas políticas.
Saem vitoriosos, independentemente do resultado, porque a vitória é do país, do centro e do pragmatismo. Que Ehud Olmert consiga tomar as difíceis decisões, e guie Israel para um futuro seguro e próspero. Não podemos mais ter um país sem fronteiras. Não podemos mais ter duas visões antagônicas de país. Avante o projeto de um Estado de Israel. Avante!!